De vez em quando
minha criança me acorda,
bem de madrugada,
e me faz chorar.
Quando isto acontece
sinto uma absoluta felicidade
misturada com enorme tristeza.
(Vivo em perfeita harmonia cá dentro
- o que, na verdade, representa acesa natural guerra.)
Minha criança vem-me lembrar nascimento pessoal
e confronta meu tempo de corpo, e experiência,
com uma espécie de amorosa tirania.
Nesse confronto
sinto a absoluta razão da vida,
o grito do amor
rebentar a disciplina do dia-a-dia.
Perfeita sinceridade,
é tão bela que apetece morrer
- só por a sentir
assim sozinho e como que tranquilo.
Sim, porque aprendi demais cedo
porventura a amar-me cá dentro.
Sei isso ser o grande segredo desta vida
e não deixo coisa ou ninguém
me desviar do caminho segredo cedo descoberto.
Assim quando isto acontece
volto ao equilíbrio.
Volto a lembrar que não só há
as exigências do mundo
mas (talvez) somente
esta absolutíssima tristeza e alegria
que me faz chorar criança minha
ao dia do presente
como um bebé;
como um pai
que se leva a si mesmo
pela vida a fora.
Sempre junto a ele
e a sua criança,
o meu amor.
sexta-feira, 31 de julho de 2015
domingo, 19 de julho de 2015
Por vezes não me creio vivo.
É qualquer coisa de sentir que estou sempre antes do além que presencio só por baixo do cabelo.
Meus sonhos e desejos correm alto quando cá em baixo, onde meus pés pisam, não me sinto em pleno.
...porque eu faço por me sentir em pleno a qualquer momento
- seja em vida real, seja em pensamento metafísico.
Mas, de vez em quando, a vida não me acontece.
E aí meu imediato impulso é mandar tudo pó caralho e fugir para as sombras e odores da solidão assombrosa de conseguir o paraíso ao renegar à vida - essa do corpo.
Um pouco como aquele filósofo dizia que o inferno são os outros...
Identifico-me um pouco com isso.
Mas identificando-me logo me desinteresso e o que quero asseguir é afinal o outro novamente.
Portanto, complicado ser alguém - complicado ser eu.
Ou não, deveras que não, sendo que todos nós temos estas merdas...
É o que se chama ter razão e saber tê-la sem lhe dar razão.
A escrita está meio longe agora.
O trabalho pesa-me a aura mística e a dinâmica mental.
Fundos económicos tento arrecadar.
(já arrecadei - creio - demais os outros...)
É isso: não estou no ponto.
Regras a cima do que se sente
e descobrir novamente
o que dentro do embrulho se esconde:
Surpresa.
Assim, deixai de ser velho ó corvo!
Voa as asas ao azul do céu
e deixa a manhã descobrir-te a cor
do que sonhas por dentro, por mais que negro,
ser afinal louvor.
É qualquer coisa de sentir que estou sempre antes do além que presencio só por baixo do cabelo.
Meus sonhos e desejos correm alto quando cá em baixo, onde meus pés pisam, não me sinto em pleno.
...porque eu faço por me sentir em pleno a qualquer momento
- seja em vida real, seja em pensamento metafísico.
Mas, de vez em quando, a vida não me acontece.
E aí meu imediato impulso é mandar tudo pó caralho e fugir para as sombras e odores da solidão assombrosa de conseguir o paraíso ao renegar à vida - essa do corpo.
Um pouco como aquele filósofo dizia que o inferno são os outros...
Identifico-me um pouco com isso.
Mas identificando-me logo me desinteresso e o que quero asseguir é afinal o outro novamente.
Portanto, complicado ser alguém - complicado ser eu.
Ou não, deveras que não, sendo que todos nós temos estas merdas...
É o que se chama ter razão e saber tê-la sem lhe dar razão.
A escrita está meio longe agora.
O trabalho pesa-me a aura mística e a dinâmica mental.
Fundos económicos tento arrecadar.
(já arrecadei - creio - demais os outros...)
É isso: não estou no ponto.
Regras a cima do que se sente
e descobrir novamente
o que dentro do embrulho se esconde:
Surpresa.
Assim, deixai de ser velho ó corvo!
Voa as asas ao azul do céu
e deixa a manhã descobrir-te a cor
do que sonhas por dentro, por mais que negro,
ser afinal louvor.
domingo, 12 de julho de 2015
terça-feira, 7 de julho de 2015
Cai noite, cai.
Cai que tudo cai contigo.
Assim me durmo em umbigo
de não saber e na mesma
acordar de manhã e ver
e ver - sentir também.
Quem vai e volta desta vida?
No sentir sinto pena de perder
mas na verdade pode aparecer
e vir e ser, de novo, novamente.
Acerto contas à vida
- que sempre Ela minha grande Deusa a prestar.
Sei pouco da vida
hoje que a vivo
sem preconceito,
sem medo.
Acordar do ponto de chegada
e ver partida.
Senti-la sem me a deixar sentir
- que aí me perco meu amigo.
Um dia chega para mim.
Durmo e acordo e vejo o que trará o dia novo.
É uma maneira de viver a vida.
É um não sei quê de ser cobarde
mas sendo-o, afirmativamente,
tem qualquer coisa de heróico
- diz a posterioridade...
Careço de carinhos que tive.
Alcanço os carinhos de não saber.
Vou lá e vejo ou vem lá e vê...
São caminhos da vida
e eu a ela nunca nego premissas.
Ela escolhe.
Eu confio.
Cai que tudo cai contigo.
Assim me durmo em umbigo
de não saber e na mesma
acordar de manhã e ver
e ver - sentir também.
Quem vai e volta desta vida?
No sentir sinto pena de perder
mas na verdade pode aparecer
e vir e ser, de novo, novamente.
Acerto contas à vida
- que sempre Ela minha grande Deusa a prestar.
Sei pouco da vida
hoje que a vivo
sem preconceito,
sem medo.
Acordar do ponto de chegada
e ver partida.
Senti-la sem me a deixar sentir
- que aí me perco meu amigo.
Um dia chega para mim.
Durmo e acordo e vejo o que trará o dia novo.
É uma maneira de viver a vida.
É um não sei quê de ser cobarde
mas sendo-o, afirmativamente,
tem qualquer coisa de heróico
- diz a posterioridade...
Careço de carinhos que tive.
Alcanço os carinhos de não saber.
Vou lá e vejo ou vem lá e vê...
São caminhos da vida
e eu a ela nunca nego premissas.
Ela escolhe.
Eu confio.
segunda-feira, 22 de junho de 2015
Greater are the secrets of the flowers that burst without thought.
No greater man can be
than the mind he trusts.
Dream light but intensely
and all that is felt be real
in near future present life.
Call the night your muse,
drunken yourself with feelings of immense gratitude,
for it is the one that is humble that can carry the burden
of not knowing but going after all.
Be the one that is not shaken yet
but after reflecting on feelings felt.
Sober, travel through
and smile to others and to you
cause reason has no space
but time.
No greater man can be
than the mind he trusts.
Dream light but intensely
and all that is felt be real
in near future present life.
Call the night your muse,
drunken yourself with feelings of immense gratitude,
for it is the one that is humble that can carry the burden
of not knowing but going after all.
Be the one that is not shaken yet
but after reflecting on feelings felt.
Sober, travel through
and smile to others and to you
cause reason has no space
but time.
terça-feira, 16 de junho de 2015
I've forgotten leaves...
Memories of the past came to me
while I ran through the night.
Sweet memories of my school days
and conscious awareness starting to burst.
All my days pass like no past.
Everything so fast doesn't allow all the tree
to come with me.
That's why some leaves are back there,
in the path I made and in the making is.
The question is
if those leaves fertilize or not,
the future ground to be awaken brand new
and fulfilling.
The wise man is asleep...
Run a bit, little boy of youth,
the sun rises with your truth.
Memories of the past came to me
while I ran through the night.
Sweet memories of my school days
and conscious awareness starting to burst.
All my days pass like no past.
Everything so fast doesn't allow all the tree
to come with me.
That's why some leaves are back there,
in the path I made and in the making is.
The question is
if those leaves fertilize or not,
the future ground to be awaken brand new
and fulfilling.
The wise man is asleep...
Run a bit, little boy of youth,
the sun rises with your truth.
sábado, 13 de junho de 2015
sexta-feira, 12 de junho de 2015
quinta-feira, 4 de junho de 2015
Não sei o que digo. Pertenças formas de falar sem pensar e, na verdade, sempre fui assim.
Tentei ser sábio antes, e fui-o deveras, mas agora caio no erro e bonança de falar e escrever
e actuar sem, por certo, pensar. Sou um incoerente mãe. Sou um incoerente filha.
Sou aquilo que não queria e aquilo que mais amo também - tem dias...
Sou parte do todo que me junta e me pensa ser consciente.
Enquanto longe o mundo, eu faço o meu mundo.
Afasto-me de algumas coisas que me estorvam,
avanço para poucas outras que existem sem mim, perfeitamente
- isto talvez porque julgo poder existir sem absolutamente nada mais que mim.
Pateta.
Pateta?
Pateta!
Sou um gerúndio.
Tenho preguiça de alcançar, ser e estar.
Para mim tudo é movimento porque eu sou deveras um ser parado:
uma pedra, um arbusto, um castelo sem nada dentro senão vento e o que passa.
Passa por mim.
Como ontem te falei mas não sei dizer além.
Não sei desenvolver conversa.
Prefiro o silêncio ou a parvoíce.
Fala por mim.
Eu acho tudo absurdo,
sou um cínico do mundo
que calcula tudo e todos
com matemática mental e emocional.
Não sou nada afinal.
Queria apenas umas mamas ou um rabo
onde pousar este cérebro chato que não encontra satisfação.
(Minto!
Gosto das andorinhas a piar e a voar
por cima de mim,
no céu azul e calor afim de Verão.)
Tentei ser sábio antes, e fui-o deveras, mas agora caio no erro e bonança de falar e escrever
e actuar sem, por certo, pensar. Sou um incoerente mãe. Sou um incoerente filha.
Sou aquilo que não queria e aquilo que mais amo também - tem dias...
Sou parte do todo que me junta e me pensa ser consciente.
Enquanto longe o mundo, eu faço o meu mundo.
Afasto-me de algumas coisas que me estorvam,
avanço para poucas outras que existem sem mim, perfeitamente
- isto talvez porque julgo poder existir sem absolutamente nada mais que mim.
Pateta.
Pateta?
Pateta!
Sou um gerúndio.
Tenho preguiça de alcançar, ser e estar.
Para mim tudo é movimento porque eu sou deveras um ser parado:
uma pedra, um arbusto, um castelo sem nada dentro senão vento e o que passa.
Passa por mim.
Como ontem te falei mas não sei dizer além.
Não sei desenvolver conversa.
Prefiro o silêncio ou a parvoíce.
Fala por mim.
Eu acho tudo absurdo,
sou um cínico do mundo
que calcula tudo e todos
com matemática mental e emocional.
Não sou nada afinal.
Queria apenas umas mamas ou um rabo
onde pousar este cérebro chato que não encontra satisfação.
(Minto!
Gosto das andorinhas a piar e a voar
por cima de mim,
no céu azul e calor afim de Verão.)
domingo, 31 de maio de 2015
Parece que não passa o tempo
e, no entanto, envelheço a cada momento.
Tenho aquela coisa da "vergonha de existir"
- texto que escrevi há anos.
"Com licença que eu vou passar."
Como se tivesse de pedir desculpa por ocupar espaço,
espaço esse que parece imenso e na verdade só mais um é.
É a sensibilidade que carrego e não fujo.
Já fugi.
Talvez devesse fugir um pouquinho outra vez.
Talvez.
Está quase lua cheia.
(Ontem devia ter ido ao bailarico
invés de ali sentado a falar estar.)
Ainda de ressaca luto alguma vida
mas estou pesado e estranho.
Amanhã trabalho novamente.
Queria mudar de sítio,
quarto, trabalho, aspecto e ter.
Inércia, deixo-me levar.
Como se não tivesse a decidir o destino de meu ser.
Há qualquer coisa que tem de mudar aqui.
Sempre me escrevi para existir em pleno,
própria criação de minha imaginação.
Hoje sou perfeitamente real e espontâneo
mas isso é como que monótono e pouco divertido.
Qual a graça de andar no chão quando já se inventou o céu?
Era invenção, era invenção...
Foi.
Agora é outra história.
Mais um dia meu velho.
Caminha o sol da esperança em sombra de luta próxima.
Ser pela primeira vez
outra vez.
e, no entanto, envelheço a cada momento.
Tenho aquela coisa da "vergonha de existir"
- texto que escrevi há anos.
"Com licença que eu vou passar."
Como se tivesse de pedir desculpa por ocupar espaço,
espaço esse que parece imenso e na verdade só mais um é.
É a sensibilidade que carrego e não fujo.
Já fugi.
Talvez devesse fugir um pouquinho outra vez.
Talvez.
Está quase lua cheia.
(Ontem devia ter ido ao bailarico
invés de ali sentado a falar estar.)
Ainda de ressaca luto alguma vida
mas estou pesado e estranho.
Amanhã trabalho novamente.
Queria mudar de sítio,
quarto, trabalho, aspecto e ter.
Inércia, deixo-me levar.
Como se não tivesse a decidir o destino de meu ser.
Há qualquer coisa que tem de mudar aqui.
Sempre me escrevi para existir em pleno,
própria criação de minha imaginação.
Hoje sou perfeitamente real e espontâneo
mas isso é como que monótono e pouco divertido.
Qual a graça de andar no chão quando já se inventou o céu?
Era invenção, era invenção...
Foi.
Agora é outra história.
Mais um dia meu velho.
Caminha o sol da esperança em sombra de luta próxima.
Ser pela primeira vez
outra vez.
sábado, 30 de maio de 2015
sexta-feira, 29 de maio de 2015
Dormir e sonhar é a nossa segunda
e infinita vida.
Não deve, de maneira nenhuma,
ser menosprezado.
É um retorno diário às origens e ao essencial.
Deixai-vos dormir
para, quando acordados,
poder presenciar deveras a realidade
que a vida nos oferece
também.
e infinita vida.
Não deve, de maneira nenhuma,
ser menosprezado.
É um retorno diário às origens e ao essencial.
Deixai-vos dormir
para, quando acordados,
poder presenciar deveras a realidade
que a vida nos oferece
também.
quinta-feira, 21 de maio de 2015
Concretas luzes de soslaio na janela
lembram infância madura de outrora.
Quando do sonho nascia a vida e o mundo
e tudo era e seria novo, por descobrir,
chorar, sorrir.
Qual do passado ser quem sou agora.
Me lembro pouco do ontem
embora o esclareça sempre
em cada e qualquer passo em frente
mas isto sem qualquer directo consciente.
Atravessam-me raios de intuição
e sempre os fui e sou.
A coisa de viver é secundária
pois o que aprecio mesmo é sentir
os raios me interceptar e assim
me direccionar numa outra ou mesma direcção.
Vem o calor obrigar ao suor e a sorrisos fáceis,
movimentos despreocupados nesta tão preocupada manta de pessoa
que sou eu.
Estou esquisito.
Deve ser da lua,
foi nova há dias e agora cresce.
Espero crescer com ela.
lembram infância madura de outrora.
Quando do sonho nascia a vida e o mundo
e tudo era e seria novo, por descobrir,
chorar, sorrir.
Qual do passado ser quem sou agora.
Me lembro pouco do ontem
embora o esclareça sempre
em cada e qualquer passo em frente
mas isto sem qualquer directo consciente.
Atravessam-me raios de intuição
e sempre os fui e sou.
A coisa de viver é secundária
pois o que aprecio mesmo é sentir
os raios me interceptar e assim
me direccionar numa outra ou mesma direcção.
Vem o calor obrigar ao suor e a sorrisos fáceis,
movimentos despreocupados nesta tão preocupada manta de pessoa
que sou eu.
Estou esquisito.
Deve ser da lua,
foi nova há dias e agora cresce.
Espero crescer com ela.
quarta-feira, 20 de maio de 2015
Por desacreditar tentação se inaugura o Homem.
Coisa feia de força bruta e além pensamento, acção proscrita e actuada em perfeita sintonia com.
Nadar com algo em mente em simetria de coisas altas
e enviesadas que conhecem por duvidar o óbvio e mexer na alegria
como criança infinita!
Vomito o ódio e despreso,
por aqui tudo é qualquer coisa.
Caminho o tempo de não tempo
e maravilha que sempre encontro
- seja em vida seja em morte
(sim, porque eu sei morrer).
Aldrabices que me dizes e eu sinto
e o romantismo de ver quem lhe não é,
aos passos minguantes anda por aí
chorando a pena que escreve e ousada inventa
e fascina quem não a lê
(como se não ainda está escrita?).
Apetece-me cair pelas escadas,
dar o braço a sofrer e deixar ir as mágoas
à certeza de as sentir - deixar ver ao outro o que me vai na alma.
Ser português?
Palavras que não digo e o de ficar por aqui.
São preguiças do antigo,
são almas que me pesam no corpo e mente
como se toda esta cidade fosse esotérica
e eu sua manifestação pessoal e física.
Que diz ele de mim?
Escrevo o imediato que me quer sair...
Cansado de trabalhar e da folga estar tão longe,
noutro lugar.
Quero ir ao campo,
dormir os passarinhos e ser as ondas que embatem nas rochas
e oiço.
Adoro o imperfeito.
Aquilo que resta,
as reticências e as dúvidas,
as hesitações.
Sabes que dizem muito de ti?
Ainda hoje não me acreditavam idade real!
Eu que sorrio como um parvo disponível
e por dentro guardo o fardo da vida Ser
- só por si, em mim.
Que diz ele novamente?
Oh, velhices minha querida,
velhices!
É o vinho que ele bebe,
e agora aprecia,
para domar caminho ao dócil receio do destino.
Sirenes ao fundo,
a cidade vive e excita quem por ela anda nocturno.
Eu sou diurno.
Não porque queira mas porque assim é agora a minha vida.
(dou-me tão bem com os anjos e diabinhos da noite...
Sou de lá.
Agora, aqui na agitação da luz do dia, me sinto tão sem chão.
...devo precisar do subsolo do escuro e do embriagado que fico nisso.)
A vida é local e circunstância,
é também saber estar com quem está
e recorrer à mudança se os frutos nascem mortos
ou apodrecem rápida e frequentemente.
Ainda assim não é,
pois não?
Não.
Então, continuemos relativo feliz serão e festividade
pois daqui nada é Junho e já se avista o Santo António pelas ruas!
(Lisboa, quis fugir de ti mas não deixaste.
Maldita sejas
mas obrigado
- ou não.)
Coisa feia de força bruta e além pensamento, acção proscrita e actuada em perfeita sintonia com.
Nadar com algo em mente em simetria de coisas altas
e enviesadas que conhecem por duvidar o óbvio e mexer na alegria
como criança infinita!
Vomito o ódio e despreso,
por aqui tudo é qualquer coisa.
Caminho o tempo de não tempo
e maravilha que sempre encontro
- seja em vida seja em morte
(sim, porque eu sei morrer).
Aldrabices que me dizes e eu sinto
e o romantismo de ver quem lhe não é,
aos passos minguantes anda por aí
chorando a pena que escreve e ousada inventa
e fascina quem não a lê
(como se não ainda está escrita?).
Apetece-me cair pelas escadas,
dar o braço a sofrer e deixar ir as mágoas
à certeza de as sentir - deixar ver ao outro o que me vai na alma.
Ser português?
Palavras que não digo e o de ficar por aqui.
São preguiças do antigo,
são almas que me pesam no corpo e mente
como se toda esta cidade fosse esotérica
e eu sua manifestação pessoal e física.
Que diz ele de mim?
Escrevo o imediato que me quer sair...
Cansado de trabalhar e da folga estar tão longe,
noutro lugar.
Quero ir ao campo,
dormir os passarinhos e ser as ondas que embatem nas rochas
e oiço.
Adoro o imperfeito.
Aquilo que resta,
as reticências e as dúvidas,
as hesitações.
Sabes que dizem muito de ti?
Ainda hoje não me acreditavam idade real!
Eu que sorrio como um parvo disponível
e por dentro guardo o fardo da vida Ser
- só por si, em mim.
Que diz ele novamente?
Oh, velhices minha querida,
velhices!
É o vinho que ele bebe,
e agora aprecia,
para domar caminho ao dócil receio do destino.
Sirenes ao fundo,
a cidade vive e excita quem por ela anda nocturno.
Eu sou diurno.
Não porque queira mas porque assim é agora a minha vida.
(dou-me tão bem com os anjos e diabinhos da noite...
Sou de lá.
Agora, aqui na agitação da luz do dia, me sinto tão sem chão.
...devo precisar do subsolo do escuro e do embriagado que fico nisso.)
A vida é local e circunstância,
é também saber estar com quem está
e recorrer à mudança se os frutos nascem mortos
ou apodrecem rápida e frequentemente.
Ainda assim não é,
pois não?
Não.
Então, continuemos relativo feliz serão e festividade
pois daqui nada é Junho e já se avista o Santo António pelas ruas!
(Lisboa, quis fugir de ti mas não deixaste.
Maldita sejas
mas obrigado
- ou não.)
sábado, 16 de maio de 2015
Por cima daquilo que me chateia
está o céu limpo,
a claridade e a simpatia alheia.
Há também a disciplina de ver nisto
continuação e outro dia a vir
que pareça mais certo e perfeito.
Não que o haja nem tenha de haver
mas sinto apenas que há demais pressa em avançar
por inércia e não por pleno prazer e entrega.
Sou teimoso e silencioso.
Meço os meus passos como um relógio
pois sinto ter de ir a algum lugar
que meus passos estão (desde que me descobri)
e hão de descobrir.
Portanto digo-te até amanhã
que hoje me guardo em solitário serão
ainda que seja sábado e a alegria logre nas ruas.
Amanhã será sempre dia...
está o céu limpo,
a claridade e a simpatia alheia.
Há também a disciplina de ver nisto
continuação e outro dia a vir
que pareça mais certo e perfeito.
Não que o haja nem tenha de haver
mas sinto apenas que há demais pressa em avançar
por inércia e não por pleno prazer e entrega.
Sou teimoso e silencioso.
Meço os meus passos como um relógio
pois sinto ter de ir a algum lugar
que meus passos estão (desde que me descobri)
e hão de descobrir.
Portanto digo-te até amanhã
que hoje me guardo em solitário serão
ainda que seja sábado e a alegria logre nas ruas.
Amanhã será sempre dia...
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