sábado, 28 de janeiro de 2017

Realmente algo novo!

Realmente coexistir com a mudança de o tempo avançar
e querer estar nesse outro próximo lugar
como novo,
sem passado que marca mas gera nova vida.

Toda a célula de meu corpo querendo a entrega à lua,
ao sol, ao desconhecido afinal.

Querer-me perder novamente
por onde já tanto desbravei:
sendo a Natureza ou a bebedeira desconhecida
e completamente gratuita e sem previsão alguma.

Falar, realmente falar com alguém, nos olhos
e ver que de tempo sendo se evapora todo o medo
do mundo e a revolução é tão pequena e grande como isto.

O isolar só serve o medo de dar...

Dar se dá e tira-se daí só mais dar.
E no dar está intrínseco o receber se a alma
for a condizer.

Realmente viver cada segundo
com a gratidão de um mestre na gruta da montanha mais alta!

Não é o espaço que te oprime mas a tua mente
que tentada à perversidade mata o desejo
e a alegria de apenas ser o momento.

E a loucura do Momento!

Tão pouca gente sabe que é o Momento
que existe, nada mais.

Tudo o resto é passado e futuro,
dores e tensões obtusas à vida
que se nova respira sim,
a cada momento.

Assim, verificar as válvulas do motor eu
e afiná-las ao Momento
para ser a cada tempo
O tempo,
a ligação de passado com futuro
sem controlo ou medo.

Assim do tempo faremos deus
e deste a vida é e só pode ser
perpétua revolução.

Serra de Montejunto

















quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

Há um espaço entre o chegar e partir
espaço esse onde gosto de existir.

Aguardo a ida com fervor
mas fico com essa dor aqui
regenerando-a em força de ir
por aqui, ficando no indo.

Qualquer coisa de intermédio.

Quando se não pode,
por alguma razão,
ir
então que se vá
ficando aqui.

Uma espécie de viagem dos pobres,
viagem constante da mente,
entre espaço algum e todos
ao mesmo tempo.

Se não existe viagem
a vida cansa-se de quem a pensa.

O gozo é ficar no meio,
parecendo que se está absolutamente aqui
mas só assim parecendo porque
na verdade se está a imaginar o outro lado
constantemente.

A arte ajuda,
a imaginação cria.

Há que ter espaço na mente para isto
e não perder tempo com erros do passado
ou maneiras de ser demais agarradas a algo físico.

E quando aparecem exigências ao crescer
é que acontece a frustracção perpétua
para a alma que Sabe disto.

É preciso ter cuidado meu amigo...

Crescer sim mas com calma
e sem pretensão.

Mete-se tudo na corrida ao dinheiro
e estabilidade económica e tal
e esquecem-se da paz de espírito
e singular maneira de estar de cada um.

(Pois creio que se nasce para se ser quem se nasceu.)

Um pouco cansado do mundo
mas creio que é do meu mundo.

Um mundo repetitivo onde não encontro saída,
saída de mim.

Quero me encontrar com o mundo
e aprender humildemente a ser eu
novamente.

Uma enorme tensão dentro de mim.

Não sei o que fazer com isto
apenas escrever
porque é barato
- é grátis! -
e só precisa de tempo.

Dêem-me uma revolução,
uma guerra sincera,
algo que me distraia desta coisa de ser eu.

Quem me dera ser como os meus colegas de trabalho
que acreditam no que fazem e o dizem detalhadamente
como fazer e o que os chateia e alegra nisso.

Eu sorrio a tudo isso.

Estou sempre além,
além de tudo
e demais perto de mim.

Tirem-me daqui!

Mas a questão complicada
é que só eu me posso desmultiplicar
para poder, finalmente, absorver o mundo.

Velocidade é a arma
mas não a sei agora.

Perdi-a num amor dengoso 
e demais querido
que me fez acreditar
que parado estar se encontra.

Ai, mas eu, com o parar
só encontro obstáculos e fico cansado
de os desbravar ou desviar.

Sou uma alma cansada
que só com velocidade
encontra a jovialidade
de amar a vida a todo o custo.

Com isto, não me posso dar ao luxo de amar só Uma
pois tenho essa coisa de saber amar a vida.

Coisa sagrada a vida.

Coisa que está esquecida
e eu mesmo a esqueço agora
mas aí está a necessidade
de um recomeço.

Para quê estar prostrado no passado
se a vida se encontra aí,
agora, em tudo e em todo o lado?

Explorei já tanto com a mente
que as frustracções que me surgem
não têm qualquer possibilidade de compreensão
racional.

São coisas completamente loucas
em correspondência com a minha natural busca
pela inimaginável complexidade da vida e mundo. 

Esta vontade de Saber
é perigosa,
muito perigosa,
se não tiver direccionada
na direcção certa.

E é isso que amigos e namoradas
nem sempre ou nunca
podem entender.

A vida é só uma
como eu só um.

O feminino e o masculino:
o meu amor pela vida.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Eu como que não consigo!

Tento prestar auxílio ao meu destino
mas com grande entre-parêntesis está.

Queria matar alguém,
fazer um absurdo,
perder tão completamente
que a única coisa que tinha
era me levantar e Começar a andar.

Eu sou maluco de longe
mas de perto sou a coisa mais pura
que não tem tantas forças para resistir
à coisa automática de hoje.

Se me pressionam nascem-me demónios do passado
feitos caras deste tempo
e - amplificando  -
me destroem toda a coerência que tanto,
tanto prezo.

Quero me matar ou dar alguém o meu lugar.

Quero descobrir que além de mim
existe um outro por onde descobrir vazio
o tudo que nada mais amo neste mundo.

Dar a alguém a minha cabecinha
para poderem saber o que é sofrer
- sofrer sem razão as coisas mais irracionais
de outro mundo que torcem a naturalidade à maior perversidade.

Estou maluco,
estou maluco,
porque não dizê-lo?

Se tivesse duas vidas!

Se eu soubesse que haveria outra
- só mais uma, para tentar Aquilo que procuro!

Uma vivia eremita, longe do mundo,
sozinho, calado e profundo.

A outra vivia contigo Mulher,
sem sombra de dúvida,
rebentava com toda esta ânsia de querer saber por mim
Tudo - sacrificando-me pleno a ti.

Mas não sei.

Vivo múltiplas sempre vidas de nunca
para desbravar a alegria de tê-las todas
sendo que nunca, se calhar, tive nenhuma
efectivamente.

É que o dom de escrever
é um dom mágico
que me faz fazer do perder
um ganhar, como que, "tântricamente"
Espiritual.

Tentei ser sóbrio e coloquial
- naturalmente coloquial, devo acrescentar -
mas logo algo neste mundo desagradável
me ficou no ouvido, como um zumbido,
a me flagelar coração, ideias, sentimentos,
imaginação, destino e intuição.

Assim, quero perder tudo novamente
para saber Apenas o meu espaço.

Espaço esse que sei Fazer digno da vida.

É curioso como sou escravo deste cérebro
que me imagina e soletra pensamentos
que demais imperfeitos são, de uma estranha forma, certos.

(Ou fá-los certos também o coração.
- esse que tão adora sofrer!)

Barda-merda a isto tudo!

A única coisa que aprecio verdadeiramente
neste mundo é a coerência do espírito,
a alegria dos pensamentos gritantemente reais
que se só manifestam em mim perfeitos
- longe do mundo dos outros e assim.

Mas é preciso continuar,
enquanto o corpo anda
é preciso sofrer por aí
e trabalhar.

Mesmo e especialmente quando se nada tem de razão nisso.

Coisa estranha...

Se eu fosse para o campo agora ficava bom,
é simples.

Um pouco de tempo só
e sozinho,
os pássaros e o silêncio,
a alma e o vento:
ficava bom.

Mas há que trabalhar e férias
não as existe na precariedade doentia dos mundos actuais...

Normalmente vivo de férias na cabecinha
mas esta agora está doentinha e
assim queria era mesmo sair daqui.

Mas não dá.

Nos fascículos da vida
se morre e nasce
muitas vezes
se o sentimento e o momento
querem-se absolutamente reais
- isto é, eternos, infinitos e toda essa coisa.

Eu vivo até ao limite,
até me queimar
e depois uma chatice acontece
e sei que vai durar
o sofrimento e a dualidade
do prazer e sofrer serem faces da mesma moeda.

Mas assim é a vida
e dessa eu creio me entender.

Devia, talvez, entender menos
que era para me não demorar nestas instâncias
de pensamento e sofrimento.

Mas, como já diz o famoso português:
"não se pode ter tudo".

E, como o sou, digo o mesmo
(embora parte de mim abomine esta raça!)

Sou inglês, chinês e venezuelano,
sou macaco até
ou rato mas é.

Aliás eu nem sei sequer se sou humano,
vê lá tu a minha questão!

Porque sei que nasci de um sentimento de perda
de um ganho que adiei ao infinito.

Sendo a minha vida mortal
um testamento somente a esse facto,
de alguma forma, irreal.

A vida do corpo é uma
mas a do espírito,
meu amigo,
essa é outra toda vida...

Concorrer a tudo isto ao mesmo tempo.

Saber de loucura e sobriedade
com a calmaria de um velho na montanha
e coração de uma pequena e vulnerável criança.

Ai deus, porque me fazes ser isto?

Criar é destino
e inventar
cortesias de pensamentos cobardes ou obscenos.

Porque há que ser como a vida quer,
há que tentar ser digno dela a todo o doer.

Dói o corazon e a alma
mas de uma maneira quase ridícula
mantenho a calma.

Não sei.

"São cenas" como já dizia o meu irmão.

Cenas, apenas cenas que são agora
e depois serão direcção
(esperemos).

Já não tenho as forças de puto para me revoltar
com tudo isto e com a vida.

Agora, ausculto com perseverança tudo aquilo que não entendo.

Já tive a raiva em mim
e tenho-a aqui.

Dar-lhe voz agora não consigo.

É outra coisa que preciso...

Esquecer-me e lembrar-me simultaneamente
e assim sucessivamente
até não mais ter a ser
que estar e ficar
hirto mas sereno de meu próprio
único lugar.

Ser tu mesmo é a coisa mais difícil
e por isso há que ser apenas essa coisa.

(que é uma "coisa")
 

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Sou todo dissimulação.
(para ser verdadeiramente sincero - comigo)

Tudo em mim é um jogo de sentidos e personalidades.

Pois, demais sensível,
quero absorver tudo
e como só um é possível
imagino muitos
conhecidos e desconhecidos:
a perspicácia absoluta da perspectiva "sensasorial" da vida.

Agora, ser feliz e ser efectivamente, talvez não seja
pois me invento a cada segundo sentimento e compreensão.

Analiticamente me vivo
e o que sinto
sinto imensamente
mas com o espaço seguro
da imaginação.

E querendo viver,
viver mesmo,
é difícil
pois se não mexe a mente
tem de mexer o real.

Tem de sempre algo mexer
e ser infinito.

O outro lado pode estar quietinho
mas algum tem de estar livre
absolutamente
para eu me tolerar existência.

(se nada mexe
então me prendo num qualquer medo
e faço-o crescer ao maior pesadelo.
daí sei que meu sonho nada mais é
que a fuga à vida, fuga à morte,
fuga à certeza de estar vivo e não
tão certamente o compreender:
há que te entreter...)

domingo, 15 de janeiro de 2017

Meu coração sofrendo os infinitos de nunca compreender o amor e seus relacionamentos...

Que arma Maior quando alinhada
e que arma mais destrutiva quando desrespeitada.

Sei de mim perfeito a mente
quando esta mente e eu apenas sorrio
sabendo seus jogos sujos.

Agora estou eu num jogo sujo de desorienta acção
que nunca encontra antes desvirtua tudo o que sente e não é.

É preciso a disciplina do trabalho meu caro.

É preciso a verdadeira porrada da vida
para desbravar essência sua.

Acontece que cada noite cai
e o dia se segue.

Acontece que a vida é todo um esforço para algo
que se só concebe na cabecinha.

Creio chegar querida
mas tarde,
sempre tarde...
A pobreza guarda uma riqueza de fim.
Nada é tudo para mim
porque só o tudo me dá a universalidade
que me prende à descoberta,
isto é, ao passo em frente,
só existindo acção!

sábado, 14 de janeiro de 2017

Quando a noite chega ao fim e tudo o que conheces
é a lembrança da manhã, a luz do dia e o calor da vida.

Quando de te teres chegado ao fim
reconheces o principio e aprendes com isso
a te perspectivar em almas várias de uma só.

O grito do índio floresce a tua floresta mental.

As grandes planícies encontram-te aqui na cidade
onde foste mas não és feliz.

Amanhã parece demorar porque tenso
procuras te segurar a algo.

Qual coração magoado encontra pouco
quando se não está entretido a criar
e inventar a maneira de ser tudo em todo o lugar.

Ser universal só possível quando não estando se é
plenamente.

Como uma alegoria vivida na cabeça
em plena faculdade de todas essas faculdades.

Matar e nascer a cada segundo,
reinventar a invenção para que te nada chegue a tocar.

Mais rápido que o caminho
voar ao céu
a terra pesada jamais é.

És espírito então.

Toda essa doença de seres "aquele"
passa perto mas não te atinge
porque o ego guarda rancores que o espírito perdoa
- rápida mente.

Encontra quem de ti te faz ser Eu
e caminha nesse sentido
sabendo que o infinito é destino
e o calor e o frio são faces da mesma moeda.

Tranquiliza o menino que vive em ti.

Sê pai dele.

Depois, quando protegido o menino,
ele te guiará a deus de ti:
união de sábio.

Aí sim, poderás realmente amar,
tocar, querer, beijar.

Não deixes que o mundo te diga quem és.

Tu és desde que a tua mãe te deu à vida,
à luz.

Tu és a razão de que o dia nasce
e a noite cai para inventar, com tempo,
de novo, o dia.

Tu és quem de ter olhos,
mente, coração e pila
faz o mundo girar
e encantar ao encantamento
tudo o que mexe e não mexe.

Pois a vida está viva até e principalmente
também na morte.

Concorre a perder e ganhar aqui na terra
pois só os fracos têm medo do céu...

Afinal, o que é a terra e esta vida mortal
senão a exposição vitral de teu espírito imortal?

É isso.

Aceita os teus medos como frutos maduros
de algo que quer e tem de morrer
para que o novo, que és tu mesmo
na continuidade do tempo,
nasça de tua realização obscura
da luz que sentes agora.

Aprende a morrer
para tão bem saber e querer viver.

Nasce-te sóbrio
e sê maior
pela disciplina de seres apenas
tu.
Concorrer à loucura da vida para poder
além barreira prescrever a sabedoria do nada
compreendendo tudo. 

Existo na escrita
tudo o resto é loucura.

Se o meu antro mental
está impecavelmente limpo 
eu chego a ser infinito,
impenetrável, inquebrável
porque, na verdade, não existo
antes me escrevo existência
querendo absorver tudo
como sabedoria do viver.

E estando a viver
tudo é analisado e sentido
com fim no infinito,
isto é, absolutamente.

Assim o poeta vive em harmonia
com o cosmos
e concorre à vida como um objecto
quase exterior,
como de uma competição se tratasse:
quem anda mais rápido,
a vida ou tu?

Inventa-te superior
e faz de teus medos e vertigens
sabedorias e luzes
para que te ensines livre
e talvez ajudes os outros
a sê-lo também.

Tens essa obrigação como ente
deste e de todos os outros mundos.

Universa-te.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Ler
não é estar atento ao que se lê
mas estar desatento ao pensamento
e deixá-lo finalmente se entender por si
sem nossa intervenção.

Ler então sim,
é uma espécie de meditação.
Sendo que o que eu queria era paz de espírito e absoluta coordenação mental...

Raios a ser assim confuso meu filho.

A travessa de meu pranto cortada a meio
e os furos no pão que deixam passar o tempo
a meio de ser.

Quero ir à rua espalhar meu canto
mas torto dentro
não encanto.

Queria matar este sofrimento
mas me não consigo chegar a ele.

Coração, gostaria que morresses
que estorvo és a esta vida espiritual
e também material.

Confundes tudo e não entendes
que dentro das dificuldades há a vida
e que alguma saída pode ser profundamente
sentida.

Quero adormecer comigo só no universo infinito
de me saber existir e me deixar disso perder.

Quero desconhecer o que conheço para conhecer verdadeiramente isso.

Quero fazer reset na cabeça
e conhecer finalmente, novamente,
a simples e singela,
maravilhosa e tão valiosa
vida presente.

Perdido em pensamentos de arrependimento
não desdobra a vida ao dom do perfeito acontecimento.

O natural.

Somente isso:
o natural.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Nem tudo se perde quando se encontra.

Convento dos Capuchos de Almada












Miradouro da Costa da Caparica











Que lugar maravilhoso que ainda não conhecia.
Ao lado de Lisboa todo um horizonte de terra, mar, rio, serra e mais.



A invenção do tempo.
a questão é saber mover-se mais rápido que o tempo
O coração tem só um ritmo natural.

É bom que o sigas e o respeites
pois se o esforças ele vai para trás
querendo encontrar o seu próprio
e único ritmo.

Aprende a respeitar esse ritmo
sempre.
A velocidade é a arma do espírito sensível.
Nada é para sempre
tudo é em frente
até que a morte nos separe da vida
e nos ilumine ao desconhecido.