terça-feira, 27 de dezembro de 2016

sábado, 24 de dezembro de 2016

Por palavras exponho meus medos em código e assim os deslargo por aí soltos
resolvidos e feitos compreensão para outros entenderem o que se não dão a ter.

Tudo o que é emoção é também um código matemático que pode ser equalizado,
isto é, neutralizado.

A escrita serve para que uma mente teimosa e ressentida
possa viver em alegria, sociedade e cheia de vontade de descobrir novo
e comum material da vida aos outros mas a cima de tudo a si.

Curiosidade.

Curiosidade é o que define a criança
e um escritor ou artista qualquer
deve ter - tem - isto como dom maior.

Tudo o que é estático,
sem humor, sem alguma ironia
ou desafio
é enfadonho e antro de merda
deste mundo supérfluo
comparado ao sonho de viver criando.

Dizerem-me que tudo isto que escrevo é mentira e ilusão
não é de maneira nenhuma a questão.

Não é de objectivo deste ofício
dizer verdade ou mentira,
realidade ou metafísica:
aqui se escreve e cria só
- sendo isso tudo e nada
simultâneamente.

Por isso a escrita é algo exacto.
I'm always trying to lose myself to find myself.
A sombra é necessária à luz;
da sombra vive também a luz.

Não há frio se não houver calor
e do equilíbrio destas e outras forças 
se faz um caminho promissor.

Compreender a chegada e a partida,
o começo e o fim,
o tamanho da vida
e sua destinada - ou não - morte.

Olhar a lua de noite
e o sol de dia,
conhecer seus mistérios
e tentar sê-los mais que tudo,
mais que tu mesmo,
pois são eles que te evidenciam
absolutamente.

Ficar preso a coisas da vida
é desperdício de vida espiritual.

Conhecendo e sendo
o pouco que se é dia-a-dia
é honra à ordem grande
que te mantém humilde e sereno
mas poderoso e afirmativo sempre.

Todo o sonho e pesadelo que se tem
deve ser confrontado na vida,
pelos olhos de alguém.

A alma sofrida
é a pior das almas,
esconde segredos que a mente esquece.

Não há ordem que a reconheça novamente
senão a morte de tudo que vive dentro.

O que resiste é quem és.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

Ora, fugir.
Fugir como quem nunca viveu nada
mas viverá tudo a caminho,
a cada instante e segundo
porque a fuga consegue
a maresia de deixar para trás tudo
e seguir na mesma inteiro,
seguro.
Pegar num carro
e largar quilómetros
como quem larga o sangue
e os neurónios do mundo
e desbrava a virgem maria
pela estrada fora.
Cada acontecimento
será neutro mas presente,
cada movimento será sem
"consciencializamento"
porque a seguir não há nada
mas tudo, tudo o que o mundo
e a vida têm para mostrar.
A dor de cabeça da razão da fuga
é mero combustível para a descoberta.
O quanto de amor me expande ao mundo
e me espreme todo cá dentro
esguichando meu sonho à vida e realidade.

O quanto de amor é maravilhoso e assustador.
E perigoso meu amor,
tão perigoso...

Que alma minha que vive de se anular
e perfeitamente existir dentro
em perfeitas e harmoniosas danças
de absoluta liberdade;
quando chega o amor
logo tudo vem cá para fora
numa estridente fluidez de loucura
e acontecimentos.

O Presente total.

Senti isso, sem dúvida,
e tanto senti que tentei fugir disso
mas meu objectivo de vida  actual
não me deixou ou deixava
e assim só para a frente soube ir.

Depois houve as resistências do mundo,
sejam pessoas ou possibilidades,
a dificuldade do tempo e suas verdades.

Essa coisa chata chamada trabalho e dinheiro
que nos dá a permissão para, dentro de seus limites,
existir, como que, tranquilo.

Ora, o amor, a partilha de dois afectos, almas e corpos
não conhece fim nem problemas,
é tudo assim e soluções aparecendo por se querendo.

Mas vem a primeira dificuldade
depois a segunda,
ainda a terceira e a quarta
e o grito perfeito de cá dentro
torna-se a raiz de onde vem todo o sofrimento.

Aí fica sem graça
pois a alegria que se sente,
os sonhos e possibilidades que se libertam para o mundo,
não são todos possíveis,
fáceis ou sequer credíveis.

E quem se pensava ser
torna-se um peso
por querer sempre mais
e pensar ser grande e merecedor de tudo.

O mundo cai em cima de quem ama,
mais tarde ou mais cedo,
e numa cabeça sensível
e viciada em criação,
tudo isto é a maior desilusão.

(foca-se no erro e não no desenvolvimento)

Aí culpa-se a si,
culpa-se a amada,
culpa-se a vida,
o mundo, o passado
e tudo.

O amor abre portas
onde as não havia.

Mete tudo em corrente de ar
dentro da casa da cabeça.

E isso,
quando se quer de novo arrumar,
é uma chatice.

Chatice essa que demora e demora
a passar.

Cada um tem os seus limites.
O amor não.

E é por isto, amor,
que acho que todo o amor
é uma forte tempestade
à espera de chegar
depois de o dia mais belo
de toda a tua vida.

O amor é simultâneamente
um sono na vida
e seu despertar.

É como uma vida dentro desta mesma
com sua respectiva morte.

Quanto mais amares mais morrerás
antes da tua morte física.

O curioso disto tudo
é que quem vive morrendo disto
vive mais que todos os outros
que esperam a outra,
apenas e só
física.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

Onde está a violência?
Onde está a vontade imensa de rebentar barreiras
e todas elas usar como armas para desbravar novo e real caminho?
Onde está a visão plena da morte
que me dava asas para sobrevoar
e olhar de cima este mundo de merda que oprime?
Onde está aquela elegância que só com
absoluta violência dentro se consegue?

Eu não ajo
eu sou.

Eu não faço
mas olho
e isso devia bastar
para afastar o que não quero.

Aberto ao mundo,
furado à intransigência dos outros,
a vulnerabilidade de ter amado
e sozinho agora ser olhado.

Não gosto destas fraquezas.

E o ridículo
é que é tudo fruto de minha cabeça.

Se não está entretida,
essa minha cabeça que tão bem cria,
ela me atormenta até não poder mais,
com pensamento que sei eu tão bem não serem reais
mas ela os faz reais...

Não é fácil ser só
e não é fácil viver criando.

Imagino o inferno
quando não estou a criar o céu.

Há que sempre inventar o amanhã.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

De sol ao raio
encontro o de chão ser céu
e toda o meu imaginário coração
é veste de realidade
tão sucinta como o teu sorriso
minha querida.
A norte encontra-se a casa
do sossego e do abraço e beijo
mas a sul
a loucura de desbravar fermento
ao certo discernimento de ir
e correr e partir e cair
e ser
coisas que se não sabia poder ser.
Além o muro
há terra firme e verde
e quando chove lama
para camuflar esta chama
que não pára nem cede
apenas queima e queima e queima.
Descobertas cisternas de afecto.
Há de longe uma alma
a mais que as outras,
a alma do desconhecido
que por ser bem parecido
parece querer chegar.
Mas não vem,
vou eu em seu lugar.
A noite acontece
e a febre de me partilhar
não deixa me deitar e calar.
São sombras de desconhecido
e o conhecido meu ao ar
que estou cansado do mesmo
e do passado e até mesmo,
e a cima de tudo,
do futuro em que não creio.
Escrever tudo isto sem querer.
Escrever tudo isto
sabendo desta forma hirta mente ser.
E o querer tropeçar, cair e rastejar
para ter direito à paz de saber tudo isto passar.
Todo o som que alguma vez ouvi
está aqui dentro, em mim.
E cada maravilha que já senti
corre bem dentro de mim.
Esquecer isto
ou pôr isto em questão é erro.
Há que saber morrer dentro
desta e só vida que há dentro de
cada um de nós.
O mundo o palco.
(Não queiras ver os bastidores...) 

terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Para quando o descanso da vida se virar eterno e o fim apenas uma barreira para outra dimensão?

De esquecer a vida vive o poeta...
Esquece escrevendo
e como só aquilo que busca é perfeição
qualquer ínfimo detalhe é razão para perder tudo
e se redescobrir nada,
para começar de novo a caminhar
nu e sem bagagem.

A dor é imensa
e a dor de não ter feito ou dito na altura exacta
é o pior.
Deixar levar...
Ser preguiçoso e teimoso e descrente
da única razão que o faz crente em si
e na vida,
é a maior das violações
para consigo mesmo.

E demora e demora e demora a passar...

A única coisa que parcialmente cura esta amargura
é o fazer o amor com e só a vida.

Fazer amor, querendo dizer,
se dar ao outro bem nos olhos,
fazendo dos outros continuação de si mesmo,
em tom de simpatia, absurdo e paradoxo.

Que estar formado,
julgando-se ser terminado
é morte à ordem que o faz sempre e sempre crescer.

Não há dúvida que todo o dom
é também uma maldição,
um peso e uma chatice sem qualquer razão.

A morte sonha-o alto
e assim deve ser.

Amando o que de pequeno
vinga ser maior nesta vida.

Amando o que de pouco
se dá e parece muito ao outro.

Quem sabe de que é que sou feito?

E quem sabe para onde vou
e onde me levará tal dom?

Sou mistério do conhecimento
adquirido de forma passiva e activa
em toda esta imaginária vida.

Concreto o sou aos olhos
mas por dentro vive
a satisfeita insatisfação
da ordem que me não quer parado
e desleixado.

E tenho agora uma coisa ridícula na cabeça
que se demora.
E a vida é feita disto também,
talvez, não sei.

Velocidade,
velocidade meu filho
que ela mostra o que és verdadeiramente.

Não te frustres nos medos.

Esse nó na garganta,
vomita-o ao outro em tom de alegria
e sara essa ferida em harmonioso egoísmo
que ninguém vê.

Tudo necessita expressão.

Se algo dentro chateia,
larga-o a fora de outra maneira
e vê o que faz por aí,
nos outros e assim.

Por dentro tens de ser antro de sabedoria
e dignidade,
tens de ser harmonia e serenidade.

No mundo?

O mundo e a vida são para sujar
com mãos pretas e coração de ferro
largar as tuas cores de amargura
que para outro são, quem sabe,
belos laranjas, amarelos, verdes e azuis.

Parece que te esqueceste disto...

(Lembra-o antes que te esqueça.)

segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

For great Art to be Made
the Heart needs to be silenced
and just the whispers heard
and translated into life.

A Big Heart is a dwelling force
that knows no stopping and confuses
fear with desire like a dying fish in land.

So in this the heart suffers through love
because it's open to the world.

If the mind is beholden and knows where to go
the heart is protected and follows and leads.

But if, for some reason, the heart
gets hurt by the loved one or just someone unkind,
the equilibrium is shattered and needs to regain peace
and be silenced to the overall development of life.

The heart knows not of life,
has no comprehending factor on it.

And in this treacherous times we live in
a big heart needs caring, time and peace,
for it to be in the world unharmed and fulfillingly alive.

Equilibrium.

(Mind needs to guide when the heart knows not what to find.) 

sábado, 17 de dezembro de 2016

Walking the nights day.
O mar, o vento, o sol, o céu, as gaivotas, as rochas, o horizonte.

Nasci disso e a isso volto para me entender.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

No god
just creation doing
is the most dangerous thing
to do in this life.
To evolve
need to be still
and let my brain breath carefully
and absolutely
through art and irrational illumination.

And the connections that it makes...
my world it is.

I am my brain.

(be aware of too much life
in this universe that it exists by itself)

Self-healing,
I would say.

Western meditation also can be said.
Who is to be me?

Not the fear that absorbs me
but the urge to fully absorb it
to be, just finally,
bright me.

And being me
is being the wind,
of all the unsolved mysteries
that define me and cursed me
in to being this soul that will hold
any and all the unsacred feelings
that it feels till it dies slowly or suddenly.

To be killed or feeling to kill,
or even to be killed by my own feelings,
it's for I to choose.

Life is a certainty of forgiveness
for time is a memory of bewilderness
and of consciousness that believes.

Can't call home
but I am home if
such feeling can behold.

Be away and here,
find the time to your peers.

Cross the road
and be untold by the other
but by just your own self.

Die young.
(even and mostly if old)
Parece que nasci amaldiçoado pela incapacidade de partilhar o meu sofrimento.
Sempre me curioso ver sofrendo as loucuras da minha mente - feita neurose abstracta
e irracional que assola e alastra a todo meu racional e campo de visão - e os outros
me dizerem que estou com bom aspecto e tal.
Nasci maluco e incapaz de me relacionar directamente com o mundo real,
tem de ser tudo por dissimulação, imaginação, invenção de mim ao mundo.
Vivo num sei lá sítio, sem tempo e espaço, onde me alargo ao vento e sou ar.
Mais alto e denso - sem densidade, no entanto - olho os outros com a paz
de saber ser isto e não saber ser o que os outros me parecem tão bem saber ser.
Se minha arte e dom é ser abstracto, longe deste mundo embora que nele integrado,
porquê lutar contra isso?
Aliás, sempre que luto perco.
De uma ou de outra maneira perco...
Há qualquer força maior que me faz perder,
faz-me pensar no que tenho medo e me isolar do mundo que tanto demorei a povoar
com meus sonhos, danças, alegrias e simpatias.
Minha vida esquecida
me quero lembrar.
Lembra-te tu de mim por favor
pois ando tão esquecido de tudo isto
e de meu papel nisto de estar vivo.
Normalmente sou pensamento,
sei disso, mas em pensamento controlado
e consciencializado posso fazer da realidade
uma coisa maior e mais para mim e outros.
Mas agora parece que a realidade entrou em mim
em tom de pesadelo e eu, abstracto e transparente,
sou furtado de minha identidade a cada momento.
E o curioso é que só o mau entra...
Eu que via o mundo com a maior das alegrias...
Não sei deus meu.
Quero te ver novamente
pois a ordem que me reconhece vivo
está desistida de coerência e serenidade.
Meu peito não respira bem
e minha garganta presa
não quer amar ninguém
- aliás medo tem disso.
Bom, aguardo o momento
e tento abreviar sua chegada
pela calma de me deixar levar
e sentir para que tudo venha e vá
na instância da vida ser o que é.

(Porra, confuso com tudo isto!)
a arte é a jaula que gera e aprisiona o espírito livre

quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Os maiores sofrimentos da vida
são aqueles de que se não encontra qualquer razão
e, por isso, se inventa uma enorme razão através da imaginação.