quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Não estejas onde não és.

Não queiras ser o que foste.

O passado guarda segredos dele
e o futuro de ti pede.
Presente és tu e condições,
circunstâncias e outros.

Alia-te a ti e sê
mas não sejas só nunca
pois o mundo rápido
te demonstra que não estás só.

Então sê livremente com e do mundo.

A ele pertences,
dele vens e a ele vences e perdes.

Ser com o mundo
é ser perfeito em sintonia.

O cérebro demais rola
e desenvolve
quando a frustração é irmã directa.

Não dês alento a ela;
menina mimada que corre
a dança de teu ímpeto a fora...

Sê apenas.

Sê teus medos e ansiedades,
medos e desilusões;
acesa tristeza que se ilumina
à alegria dos outros.

Que de fim há começo
e que de começo continuação.

Ver o horizonte como um menino
que sonha Homem o ventre da Mulher.

Dar à luz tudo
vendo sendo Mundo.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Lua Rua


Oh, que respiro sem saúde
com data de validade e assim...

Que coisa é esta de não saber estar e ser?

Fluída conquista de quem imagina mais que viver
saber
e nisto se perder
vivendo em dúvida constante
a certeza da vida ser deveras bela.

Não sei donde me perdi lá atrás...

Talvez Inverno,
talvez frio e demais sossego,
talvez o cansaço do trabalho não ser novidade
mas já rotina do ontem parecer já amanhã,
talvez haverem idiotas no mundo que antes se pensava serem boa gente.

Não sei.

Estou cansado de não estar útil.
Cansado de algum inerte desassossego.

A coisa não rola
e o quanto eu vivo
para simplesmente vê-la e sê-la
fluindo sem nada a obstruir
tamanha lucidez brincalhona.

Vejo o mundo em ecrã digital.
Não sei bem de meu mundo universal.

Se o encontro novamente
se sou novo e ainda não o sei.

Os desígnios da vida
precisam habituação e...
alguma resignação?

Epah, talvez, talvez.

Crescer não é fácil.
Mas eu não cresço
somente evoluo
- creio.

Nasce de novo
galinha do ovo
e que saiba ser
sem saber
novamente
brutal.

À conquista de ser;
daqui, dali, de tudo e todos.

 

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

E que bom que é cair do trono e ser novamente peão.
Fascinante entender que é o tempo o mais precioso instrumento da vida.

O tempo de sossego,
o tempo de deixar a rotina,
o tempo de deixar acontecer o nada acontecer.

O tempo é O instrumento divino.

Perceber e respeitar o Tempo é coisa de saber da vida
e seu divino.

Ter Tempo é ter espaço
e ter espaço é saber o que fazer;
apreciar, criar e ser como se sente,
dever ser.

Ter Tempo é Saber.

(que pouco se dá ao tempo de nossa moderna consciência...
Com Tempo não és agora mas Sempre.)

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Badajoz

 Francês




Árabe 



arte Ao pRédio





Intendente



De dentro há tudo.

Oh, fora mundo o individuo,
tempo ou circunstancia.

Caminho do mínimo átomo
ao mais alto elixir da montanha dos Himalaias.

Concreto precipício
que além de saber
age.

E visões traz
e visão também:
absoluta.

São de mim que nascem
mas da vida vêm.

Qual mistério sentido...

É o acreditar e solidão.

Oh sim, meu irmão.

Felizes de quem não tem de ir tão longe
para se sentir perto...

Eu vivo assim,
entre a ilusão de viver,
entre a ilusão de sentir.

Mas crer, creio
e creio demais ainda.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

Que coisa esta vida.

Tentar fazer o caminho destino
até que algo embate e não mais esse,
outro.

Fica a dúvida:
será que devia continuar aquele
ou fazer antes este vivamente.

É Inverno
e o carrasco que faz Eu mexer
bem oleado, cá dentro,
está perro e triste.

Esta chuva e nuvens constantes
não levam a voz a um bom vento.
Fica presa aqui
sem nenhum encantamento...

Melancólica passagem
pelo frio da estrada húmida.

Não fui feito para isto,
este tempo.

Há quem goste de ficar no quarto,
no quente, sossegado e nadando o sossego.

Eu não.
Estou sempre demais com forças
e se as não uso
usam-me elas
por forma negativa
pois não lhes dou - não lhes encontro - acção.

Há uma certa vontade de mudança
mas ela não vem assim certa.

Há que esforçar,
penetrar talvez fundo
para verter para mim o fluído
que muda e cura,
sabe e sobe,
ser que não se deixa encontrar nunca.

Até a vinda da bela PrimaVera
vou me deixando ir,
meio para trás,
meio para a frente.

O tempo decide aqui.

terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Se de sincero ser me ilustro pela vida
é por a ter conhecido como amiga
só.

Na aurora do cântico da ave grande
olho ao alto e figuro cristalina novidade.

Há mais que o que há a ver.

Sentir como que sem querer.

Na novidade desta vida
a cada momento deslumbro prazer:
vigoro o direito a viver.

Quem, por outro lado, corre,
olhando em frente sem lados
é triste e ignóbil ao deus que pressinto ser
parte.

Que os lados é que contam
o que há frente haverá e não há.

Esquecer os lados é não saber ir em frente
meu amigo.

Na madrugada de olhar sem ver,
sentir sem tocar,
escolho o nada para que me descanse o tudo
que julgo ser e saber.

Ah... aí lembro o tempo
e sua majestade.

Lembro o não ser
para saber tudo ser
e não correr.

A vida perfeita
logra aqui, ali,
em todo e tudo.

Assim simples é a vida
quando invés de querer
tu crês.

Fazei do sangue espírito
e da pele reflexo
pois por seres tudo isto
serás eles também.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

You should always expect the less of you
to make the rest of you worth.

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Vêm aí a guerra.

A guerra que alguém criou lá longe...

A guerra começada por idiotas
que não sabem nada mais
que guerra e seus benefícios económicos.

Vem aí a guerra para nossos passeios,
ruas e avenidas.

Vem aí a guerra.

A idiota guerra que idiotas começaram
e pensavam que não lhes atingiria.

Atinge-nos a nós
- talvez não a eles
que a começaram.

Que merda a guerra.

Matam eles uns em Paris
matamos nós uns na Síria.

Mas nós já matamos há mais tempo eles dali.

Não nós
mas infelizmente a cultura
à qual de alguma maneira - intrínseca -
eu pertenço.

Vem aí a guerra
- uma grande guerra -
e, no entanto,
falo na rua a amigos e conhecidos,
vejo noticias e videos,
e todos me parecem não querer
deveras a guerra.
 (Só os idiotas mais uma vez...)

Mas assim foi
assim será.

O ser humano
por mais que evolua
não chega a nenhum lugar de sabedoria
porque tem sempre quem lhe agarre e raspe,
raspe de humilhação e ignorância.

Em sociedades tão evoluídas,
tão civilizadas...

A sério?

Parece-me que não.

Sempre me pareceu
mas agora creio que vamos ver
a merda que aí vem.

E não sou de religiões...
Não sou de uma,
respeito e entendo um pouco do porquê de todas.
Todas com sua cultura
mas todas com os seus erros de pensar ser a única.

Tão evoluídos,
tão laicos
mas novamente numa guerra de religião.

A nossa talvez seja só a do dinheiro já,
a deles é outra coisa que não quero dizer sim ou não.

A mesma merda de sempre...

Interesses económicos:
isso é a guerra.

Que tristeza.
 
(Mas não há que ter medo
pois como Gandhi dizia:
o inimigo é o medo.
Nós pensamos que é o ódio
mas é o medo.

Sem medo a vida sempre tem razão.)

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Não há nada maior que a morte.

A morte é a proporção da vida.

Digo isto porque não há coisa que mais me descontraia,
em momentos de incerteza e indecisão,
do que o pensar e saber que um dia eu irei morrer.

Isso leva todo o trabalho mental de apocalipse narcísico
à retrete da existência física.

Sai.

E volta a vida,
em sua perspectiva e tamanho
ao seu lugar:
tudo pequeno.

domingo, 15 de novembro de 2015

Ao menos em cima há baixo...

Por baixo do mais baixo
não há altura
apenas o tamanho do corpo.

Mas o tamanho do corpo
pode ser distribuído
pelo tamanho da mente.

Julgando-se livre
cairá em peso
na altura do corpo.

Questionando a liberdade
que atinge
perspectivará o corpo,
juntando e separando
ao longo da compreensão.

Aí nasce a realização,
a realização da alma
talvez,
a busca dela.

Não sabemos como a vida se desenrola.

Como o poeta que aqui escreve
não sabe como e porquê isto escreveu.

É a dúvida que é o ganho
quero eu dizer.

E não mais bela vida podes ter
que viver em dúvida
e a poderes ser
vendo tudo a se esclarecer
por si só.

E, assim, só não mais estarás...

olhÓ gato


sexta-feira, 13 de novembro de 2015

É demais o consolo para um adulto
querer comer e ter de o fazer.

Somos simples e ligeiros
mas a mente carrega o peso
da lembrança, da não eficiência,
da tristeza e assim.

Fui ali ali dar uma volta
pela avenida Almirante Reis.
Vejo de tudo,
vejo o mundo
e perco-me a mim.

Agora, sexta-feira, quer-se a loucura,
fantasia e a aventura.

Mas eu saí ontem...

Ontem um copinho de nada
- chama-se "shot" -
levou-me toda a coerência e alegria.
Vejo-me prostrado em pensamentos desconexos
e estúpidos - absolutamente infelizes.

Tristeza, não venhas a mim...

Tenho demais a combater neste mundo,
sendo eu que sou,
e pensamento bruto
que me constrói e é,
e é, enfim.

Falemos de coisas ridiculas e felizes.
Falemos sem nos complexar com as coisas da vida,
do amor e do afecto.

(Queria um abraço teu...)

Ontem quis me ver livre
hoje é a ressaca.
Ontem fui eu,
hoje és tu.

Parece que não sei destas coisas...

Fui-me embora demasiado cedo.

Despedi-me com medo.
Esse é o meu enredo:
esta coisa de olhar e gostar
mas não poder dizer
para poder andar.

Caminho é destino
e se até um pé o pode
porque não o corpo absoluto?

Visto a carne de azul,
a ti de cor-de-rosa
e o mundo de branco
 - para poder escrever, rabiscar, desenhar
por cima.

Vou ali e sem mim
me sabem vivo
e paradeiro.

Escolho perder-me na infelicidade
quando a coisa não corre bem.

Engoli a pedra que me chateava
e tornou-se ela minha musa
- que coisa estranha...

Fala-me de coisas maravilhosas,
no além medo,
pouco desprezo:
um amor elegante,
sábio até.

Mas de que se fala aqui
senão de uma certa falta de habilidade
para ter razão?

Por vezes desejaria-me explodir,
pois assim me sinto quase todo o tempo.

Olho o fruto do ventre.

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

A tentar chegar lá.

A tentar chegar lá sem dor e sem entraves.

A tentar chegar lá.

Não sei onde mas sei que há.

Esse haver que sempre sinto e senti.
Esse olá daqui longe
mas um longe perto sim.

Desconstruindo-me ou não
a espera perde a razão
e fica um pedregulho,
nem redondo,
virado no chão.

E aguardo o caminho
que afinal está aqui
à espera de minha vontade,
à espera de eu olhar e ir,
ir por aí.

Vens comigo?