quarta-feira, 16 de novembro de 2016
terça-feira, 15 de novembro de 2016
A guerra é a única amiga do artista e criador.
Don't run from pain.
Look her in the eye and walk her through life.
Let her see the light
and caress her while she evaporates to the skies.
Look her in the eye and walk her through life.
Let her see the light
and caress her while she evaporates to the skies.
E tenho os pés descalços e canso-me de andar pela terra suja que me alegra a alma
e me enche de uma certa calma que é o silêncio do universo.
Vejo os carros e as cidades e sorrio para mim sua infinita pobreza de terem de andar assim,
bem vestidos, com pressa e maneira de falar coerentes.
Nu, invisto num futuro que não abre alas a palermices e descansos de preguiça.
Aqui a tarefa é andar e persistir em acreditar que isso leva a algum lado.
É uma arte marcial que me junta a todos os seres humanos alguma vez existentes
nesta terra e que existirão.
No abismo disto e do que me vai na cabeça
imagino soluções, danças e sorrisos que alegram ninguém mas a mim
e talvez assim o espírito maior que dá e tira vida.
Foi com pena que atravessando a estrada me atropelou tal grande camião
em que o condutor tinha adormecido.
Lá me levaram para o hospital, comigo inconsciente e silencioso.
Acordei passado uns dias.
Ninguém à minha beira e todo cheio de tubos e pip's ao redor.
Tirei aquela merda toda mas rápido uma enfermeira veio-me agarrar
ao que eu resisti e ela gritando chamou uns bruta-montes para me imobilizar.
Bem, estava furioso, precisava de andar!
Sentir as pernas e deixar a mente fluir.
Disseram-me que "não" por gestos - sei lá eu a língua deles!
Fiquei por lá mais umas semanas, com cordões a me segurar todo o corpo
e menos furioso fui-me deixando observar aquilo tudo, imaginando estar a andar.
Quando recuperei, vestiram-me de roupas e meteram-me em pé e como que sorriram
para mim, parecendo dizer que já estava bem, que já podia eu andar.
Lá andei um pouco mas os músculos atrofiados quase me mandaram ao chão,
não fossem, mais uma vez, os bruta-montes me segurar.
Bem, perguntaram-me por casa e eu disse que não tinha.
Familia? Também não.
Trabalho? Não.
Bem, mandaram-me para a rua com um papel que mostrava um número grande
que me disseram, mais uma vez por gestos, que eu tinha de pagar dentro de um mês
senão ia para a prisão. Não percebi nem uma nem a outra coisa mas um carro chegou-se
à minha frente e disse para eu entrar. Lá entrei.
No fim da viagem mostraram-me uma casa, com cama e essas coisas e foram-se embora.
Achei simpático tudo isto mas queria era andar!
Logo que tentei abrir a porta vi que estava trancada.
Achei estranho mas acabei por andar à volta do quarto a noite toda.
De manhã abriu-se a porta e chamaram-me e levaram-me
para um sítio com pedras e disseram-me, por gestos, para pegar nelas
e levá-las para outro sítio.
Eu disse que não e um dos senhores deu-me uma cacetada com toda a força nas costas.
Bom, pensei que tinha mesmo de ser e que pelo menos podia caminhar.
Dias e dias e dias disto, tanto que me habituei.
Já com um sorriso na cara fazia aquilo porque o andar
que o levar as pedras de um lado para o outro concedia
fazia a minha mente imaginar a vida na terra suja, nu e descalço de outrora.
Cada mês me mostravam um papel que parecia dizer que os números grandes,
que vi no outro papel à saída do hospital, iam diminuindo.
Bom, pelo menos isso, pensei.
Meses e meses depois lá me deixaram sair porque o número tinha chegado a zero,
bom a um pouco mais agora.
Deram-me papéis estranhos para a mão
que me disseram,
por gestos, serem valiosos.
Disse tudo bem e fui-me embora.
Lá no fim daquela estrada encontrei
novamente a terra suja e descalcei-me
e despi-me e sorri e corri para a vida.
(exercício de escrita...
era suposto continuar para ele se civilizar, standardizar
e só depois finalmente sair para a terra "suja"
mas a verdade é que me é tão difícil escrever
em prosa ou manter coerência em textos longos
- canso-me rapidamente)
e me enche de uma certa calma que é o silêncio do universo.
Vejo os carros e as cidades e sorrio para mim sua infinita pobreza de terem de andar assim,
bem vestidos, com pressa e maneira de falar coerentes.
Nu, invisto num futuro que não abre alas a palermices e descansos de preguiça.
Aqui a tarefa é andar e persistir em acreditar que isso leva a algum lado.
É uma arte marcial que me junta a todos os seres humanos alguma vez existentes
nesta terra e que existirão.
No abismo disto e do que me vai na cabeça
imagino soluções, danças e sorrisos que alegram ninguém mas a mim
e talvez assim o espírito maior que dá e tira vida.
Foi com pena que atravessando a estrada me atropelou tal grande camião
em que o condutor tinha adormecido.
Lá me levaram para o hospital, comigo inconsciente e silencioso.
Acordei passado uns dias.
Ninguém à minha beira e todo cheio de tubos e pip's ao redor.
Tirei aquela merda toda mas rápido uma enfermeira veio-me agarrar
ao que eu resisti e ela gritando chamou uns bruta-montes para me imobilizar.
Bem, estava furioso, precisava de andar!
Sentir as pernas e deixar a mente fluir.
Disseram-me que "não" por gestos - sei lá eu a língua deles!
Fiquei por lá mais umas semanas, com cordões a me segurar todo o corpo
e menos furioso fui-me deixando observar aquilo tudo, imaginando estar a andar.
Quando recuperei, vestiram-me de roupas e meteram-me em pé e como que sorriram
para mim, parecendo dizer que já estava bem, que já podia eu andar.
Lá andei um pouco mas os músculos atrofiados quase me mandaram ao chão,
não fossem, mais uma vez, os bruta-montes me segurar.
Bem, perguntaram-me por casa e eu disse que não tinha.
Familia? Também não.
Trabalho? Não.
Bem, mandaram-me para a rua com um papel que mostrava um número grande
que me disseram, mais uma vez por gestos, que eu tinha de pagar dentro de um mês
senão ia para a prisão. Não percebi nem uma nem a outra coisa mas um carro chegou-se
à minha frente e disse para eu entrar. Lá entrei.
No fim da viagem mostraram-me uma casa, com cama e essas coisas e foram-se embora.
Achei simpático tudo isto mas queria era andar!
Logo que tentei abrir a porta vi que estava trancada.
Achei estranho mas acabei por andar à volta do quarto a noite toda.
De manhã abriu-se a porta e chamaram-me e levaram-me
para um sítio com pedras e disseram-me, por gestos, para pegar nelas
e levá-las para outro sítio.
Eu disse que não e um dos senhores deu-me uma cacetada com toda a força nas costas.
Bom, pensei que tinha mesmo de ser e que pelo menos podia caminhar.
Dias e dias e dias disto, tanto que me habituei.
Já com um sorriso na cara fazia aquilo porque o andar
que o levar as pedras de um lado para o outro concedia
fazia a minha mente imaginar a vida na terra suja, nu e descalço de outrora.
Cada mês me mostravam um papel que parecia dizer que os números grandes,
que vi no outro papel à saída do hospital, iam diminuindo.
Bom, pelo menos isso, pensei.
Meses e meses depois lá me deixaram sair porque o número tinha chegado a zero,
bom a um pouco mais agora.
Deram-me papéis estranhos para a mão
que me disseram,
por gestos, serem valiosos.
Disse tudo bem e fui-me embora.
Lá no fim daquela estrada encontrei
novamente a terra suja e descalcei-me
e despi-me e sorri e corri para a vida.
(exercício de escrita...
era suposto continuar para ele se civilizar, standardizar
e só depois finalmente sair para a terra "suja"
mas a verdade é que me é tão difícil escrever
em prosa ou manter coerência em textos longos
- canso-me rapidamente)
segunda-feira, 14 de novembro de 2016
quinta-feira, 10 de novembro de 2016
quarta-feira, 9 de novembro de 2016
Se a serpente não é respeitada
a serpente come-se a si mesma.
Respeita a serpente.
Mantém-a sempre a ir em frente
e segue-a,
aumentando o círculo à volta dela
pois a verdade é que sempre
se acaba por comer a si mesma.
Vida e morte.
(não deixes que a morte te coma a vida)
a serpente come-se a si mesma.
Respeita a serpente.
Mantém-a sempre a ir em frente
e segue-a,
aumentando o círculo à volta dela
pois a verdade é que sempre
se acaba por comer a si mesma.
Vida e morte.
(não deixes que a morte te coma a vida)
terça-feira, 8 de novembro de 2016
...a inocência meu filho
é o pai de Deus.
Quem na inocência consegue vislumbrar a vida,
o mundo e o tempo, e neles se deslumbrar,
não tem inimigos nem frente
pois que frente há à abertura total e sincera?
meu coração é uma sombra
mas nesta sombra vejo eu luz
dá-me o mau que dele dir-te-ei o bem
e dá-me o bem que dele te evidenciarei o mal que dele vem
Vida um mistério
e no cerne dele pareço ter de ficar, ser
e identificar.
Para mim e, porque não, para os outros...
Pois já que dom tenho de escrever
- e me aquece o entardecer da alma -
tenho que por aí me fazer ser:
seja em escrita seja em físico.
A alma que acredita tem de continuar assim.
A crer e a ditar por palavras ou ar
- sendo o fim de si mesma -
em tom de quem nasceu para dançar
a amargura da vida em sorriso de criança.
nada o que me possa alguma vez matar
senão a morte física deste corpo
que o além dele já vivi mais que demais vidas
é o pai de Deus.
Quem na inocência consegue vislumbrar a vida,
o mundo e o tempo, e neles se deslumbrar,
não tem inimigos nem frente
pois que frente há à abertura total e sincera?
meu coração é uma sombra
mas nesta sombra vejo eu luz
dá-me o mau que dele dir-te-ei o bem
e dá-me o bem que dele te evidenciarei o mal que dele vem
Vida um mistério
e no cerne dele pareço ter de ficar, ser
e identificar.
Para mim e, porque não, para os outros...
Pois já que dom tenho de escrever
- e me aquece o entardecer da alma -
tenho que por aí me fazer ser:
seja em escrita seja em físico.
A alma que acredita tem de continuar assim.
A crer e a ditar por palavras ou ar
- sendo o fim de si mesma -
em tom de quem nasceu para dançar
a amargura da vida em sorriso de criança.
nada o que me possa alguma vez matar
senão a morte física deste corpo
que o além dele já vivi mais que demais vidas
sexta-feira, 4 de novembro de 2016
quinta-feira, 3 de novembro de 2016
Tão lento está o meu menino...
Tudo o que pensa lhe afecta a alma.
Como se a mente estivesse no trono
e toda sua mentira mentisse e verga-se
o coração e alma à hedionda falácia da vida.
Ah meu querido, estás pequeno, pequenino
tentando fingindo-te homem, como se quer,
e não te deixando ser assim, pequenino
como deveras te estás a sentir...
A questão é outra e é a mesma.
A solidão guarda o portão que te guarda do mundo.
Agora te não guardas porque partilhas a vida com Ela.
A guerra que amas é pacificada.
É bom para muitos e até para ti,
quem sabe, noutro prisma e perspectiva de vida.
Mas tu não sabes subir, não é?
Tu só sabes descer quando sentes que a subida
é uma traição ao que sentes no íntimo.
É uma chatice ser quem sou.
Mas é a única coisa que afinal sou.
Eu.
Quando me tento mudar, vergar e
de alguma forma, no fundo, agradar a alguém
me querido
logo me tropeço em cerimónias que me gastam
aura e sentimento, intelecto movimento da vida.
Quero fugir para a terra do nunca,
quero sentir-me morto novamente para quase tudo
só não para aquilo que teima em me fazer querer estar aqui.
Normalmente é a Mulher, a disciplina e o sentido de que
tudo o que faço, a qualquer momento,
é deveras um reconhecimento
de que há algo maior a mim.
Gosto de crer em deus.
E a única forma de crer num deus real
é fazê-lo existir pelos teus actos do dia-a-dia.
Equilíbrio.
Apenas um equilíbrio,
seja amoroso, económico e social.
O ideal é ter todos em sintonia.
Aí se vê e sente o ideal que se É finalmente.
Claro que o mundo quer estupidez
e rapidez, satisfação pronta e gratificação imediata.
Mas isso, o grande espírito sabe, que rápidamente
também se vai e só fica a chatice de encontrar
novamente razão para a vida.
(Estão estudantes lá fora,
aqueles infelizes que se vestem de negro,
com grandes mantas,
e gritam e gritam
canções e idiotices.
O quanto desprezo esta gente...
Carne para canhão da próxima geração.)
Bom, mas voltando a coisas importantes.
Procuro trabalho e vejo-me enfiado
num casulo gritante de precariedade.
E tudo feliz e tudo, na mesma, querendo
ficar rico.
É uma coisa engraçada este mundo dos humanos.
Simplesmente não aprendem nem querem aprender,
seja com a história, seja com o viver.
Sei disto porque eu próprio tropeço nisso...
O mundo está estranho.
Mas o que me mais dá pena
é eu não estar em sintonia com ele.
Se tivesse talvez o podia ajudar
e me sentir, ao menos, minimamente
pertencente a ele.
Agora estou apenas alienado dele e de mim.
Grita a Puta da Vida a Fora!
Tudo o que pensa lhe afecta a alma.
Como se a mente estivesse no trono
e toda sua mentira mentisse e verga-se
o coração e alma à hedionda falácia da vida.
Ah meu querido, estás pequeno, pequenino
tentando fingindo-te homem, como se quer,
e não te deixando ser assim, pequenino
como deveras te estás a sentir...
A questão é outra e é a mesma.
A solidão guarda o portão que te guarda do mundo.
Agora te não guardas porque partilhas a vida com Ela.
A guerra que amas é pacificada.
É bom para muitos e até para ti,
quem sabe, noutro prisma e perspectiva de vida.
Mas tu não sabes subir, não é?
Tu só sabes descer quando sentes que a subida
é uma traição ao que sentes no íntimo.
É uma chatice ser quem sou.
Mas é a única coisa que afinal sou.
Eu.
Quando me tento mudar, vergar e
de alguma forma, no fundo, agradar a alguém
me querido
logo me tropeço em cerimónias que me gastam
aura e sentimento, intelecto movimento da vida.
Quero fugir para a terra do nunca,
quero sentir-me morto novamente para quase tudo
só não para aquilo que teima em me fazer querer estar aqui.
Normalmente é a Mulher, a disciplina e o sentido de que
tudo o que faço, a qualquer momento,
é deveras um reconhecimento
de que há algo maior a mim.
Gosto de crer em deus.
E a única forma de crer num deus real
é fazê-lo existir pelos teus actos do dia-a-dia.
Equilíbrio.
Apenas um equilíbrio,
seja amoroso, económico e social.
O ideal é ter todos em sintonia.
Aí se vê e sente o ideal que se É finalmente.
Claro que o mundo quer estupidez
e rapidez, satisfação pronta e gratificação imediata.
Mas isso, o grande espírito sabe, que rápidamente
também se vai e só fica a chatice de encontrar
novamente razão para a vida.
(Estão estudantes lá fora,
aqueles infelizes que se vestem de negro,
com grandes mantas,
e gritam e gritam
canções e idiotices.
O quanto desprezo esta gente...
Carne para canhão da próxima geração.)
Bom, mas voltando a coisas importantes.
Procuro trabalho e vejo-me enfiado
num casulo gritante de precariedade.
E tudo feliz e tudo, na mesma, querendo
ficar rico.
É uma coisa engraçada este mundo dos humanos.
Simplesmente não aprendem nem querem aprender,
seja com a história, seja com o viver.
Sei disto porque eu próprio tropeço nisso...
O mundo está estranho.
Mas o que me mais dá pena
é eu não estar em sintonia com ele.
Se tivesse talvez o podia ajudar
e me sentir, ao menos, minimamente
pertencente a ele.
Agora estou apenas alienado dele e de mim.
Grita a Puta da Vida a Fora!
A stand-up comedian is a failed poet.
Nonetheless he is a poet.
A modern poet perhaps.
Nonetheless he is a poet.
A modern poet perhaps.
I miss seeing life come and go and only I standing.
segunda-feira, 31 de outubro de 2016
sábado, 29 de outubro de 2016
Tanto sol ou bruma só conhece a doce alma que se verga à vida completamente.
Já tive nestas vidas alegrias que nem alegrias são mas absoluta comunhão com tudo e todos
nesse preciso e continuado momento, parecendo e sendo deveras eterno, infinito, deus, etc.
Depois e antes disto tive infelicidades de me julgar o único ser que sofre o inimaginável
de não ver solução alguma e sentir mais que demais tristeza de ser eu, e ser assim, frágil,
sensível, pequeno e magrinho.
Antes e depois disto senti felicidades, novamente, de outro este mundo
que compensam todo o esforço de meu - parecendo - inútil sofrimento.
De momento sinto-me enclausurado,
perdendo o espaço vital que tenho na mente.
Mente essa que tenho sempre de exacerbar ao infinito
para me livrar de demónios e realidades que não são.
É que atrás e à frente e de lado de tudo o que sinto
sei, perfeitamente, (sei lá eu como!) quem sou e porque estou vivo
e qual é deveras o meu destino, como homem, como ser humano e como vida sentida e vivida.
Não sei mas creio que meu coração está amaldiçoado com alguma incapacidade
para resistir à pobreza, cobardia e tristeza deste mundo, meu mundo.
A única coisa que sinto poder fazer e ser é exacerbar-me num outro,
mental, consensual e como que sensual.
Matemático também,
porque a cima de afectos, amor e sentimentos
só a física quântica do que se verdadeiramente sente ser.
Vivo neste embalo ridículo da vida se julgar
merecedora de meu recíproco gesto.
Perfeccionista do equilíbrio impossível de ser humano
e ter sentidos e sentimentos.
Toda a minha ordem é uma outra que ninguém conhece.
Eu sou o futuro de meus pensamentos e projecções de agora.
A absoluta desorganização
da organização que me guarda
e aprendi a respeitar.
Porque sem ela sou alma perdida neste mundo,
fantasma da cena,
sendo visto sem conseguir ver,
falar e não me conseguir ouvir.
Trágico espantalho que espanta a vida que o quer,
procura o nada que nem sabe que o é.
Vivo na maresia de saber ter casa
sem me nunca sentir em casa.
Vivo a palermice de me conhecer e sabotar
a todo o momento.
Se não disciplinado disto
me corrói-o sem fim
e sem respeito.
Vive o diabo no meu peito
e deus no meu cérebro.
Só o impossível me conhece...
Já tive nestas vidas alegrias que nem alegrias são mas absoluta comunhão com tudo e todos
nesse preciso e continuado momento, parecendo e sendo deveras eterno, infinito, deus, etc.
Depois e antes disto tive infelicidades de me julgar o único ser que sofre o inimaginável
de não ver solução alguma e sentir mais que demais tristeza de ser eu, e ser assim, frágil,
sensível, pequeno e magrinho.
Antes e depois disto senti felicidades, novamente, de outro este mundo
que compensam todo o esforço de meu - parecendo - inútil sofrimento.
De momento sinto-me enclausurado,
perdendo o espaço vital que tenho na mente.
Mente essa que tenho sempre de exacerbar ao infinito
para me livrar de demónios e realidades que não são.
É que atrás e à frente e de lado de tudo o que sinto
sei, perfeitamente, (sei lá eu como!) quem sou e porque estou vivo
e qual é deveras o meu destino, como homem, como ser humano e como vida sentida e vivida.
Não sei mas creio que meu coração está amaldiçoado com alguma incapacidade
para resistir à pobreza, cobardia e tristeza deste mundo, meu mundo.
A única coisa que sinto poder fazer e ser é exacerbar-me num outro,
mental, consensual e como que sensual.
Matemático também,
porque a cima de afectos, amor e sentimentos
só a física quântica do que se verdadeiramente sente ser.
Vivo neste embalo ridículo da vida se julgar
merecedora de meu recíproco gesto.
Perfeccionista do equilíbrio impossível de ser humano
e ter sentidos e sentimentos.
Toda a minha ordem é uma outra que ninguém conhece.
Eu sou o futuro de meus pensamentos e projecções de agora.
A absoluta desorganização
da organização que me guarda
e aprendi a respeitar.
Porque sem ela sou alma perdida neste mundo,
fantasma da cena,
sendo visto sem conseguir ver,
falar e não me conseguir ouvir.
Trágico espantalho que espanta a vida que o quer,
procura o nada que nem sabe que o é.
Vivo na maresia de saber ter casa
sem me nunca sentir em casa.
Vivo a palermice de me conhecer e sabotar
a todo o momento.
Se não disciplinado disto
me corrói-o sem fim
e sem respeito.
Vive o diabo no meu peito
e deus no meu cérebro.
Só o impossível me conhece...
quinta-feira, 27 de outubro de 2016
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