quarta-feira, 25 de maio de 2016

quinta-feira, 19 de maio de 2016

Quando acontece o imprevisto
e do silêncio nasce o grito.

Quando perto se vê o longe
e acena o destino a uma grande obra em frente.

Quando se mata para viver
- seja o que for -
para ser de valor e louvor
o ser.

Acontece que termino um capítulo
e abro outro.
Acontece que sempre que fica noite
começa a contagem decrescente para o dia nascer.
Acontece que a cada dia se morre
mas nasce de conhecimento mantido, compreendido e percorrido.
Acontece que me estou no limbo
entre querer ou crer,
ir ou ficar,
mandar ou deixar ser.

Ser.

Maneiras de ser e agir,
casulo do para sempre existir,
perfeitamente, ainda agora.

Quando durmo
nasce o mundo.

Este aqui é plateia e palco,
um jogo de sorte e azar.

Falo comigo.
Quero falar comigo
mas "ele" não me ouve.

Pareço furado,
pareço um fantasma,
uma memória de mim mesmo.

Onde me meti nesta sombra de existir
continuado mas não aqui.

Falo contigo e quero-te entender,
quero saber de novidades,
vampiro da vida solar,
quero saber!

Nasce-me a fera e o mar,
o ir,
o voltar.

Os dois.
Os dois sempre!

E neste vai e vem
eu me sempre encontro
- seja quanto tempo e loucura isso demore!

Falo a mim.
Falo a ti.

Falo ao mundo e quero
que passarinhos e máquinas
sejam paisagem do agora e do outrora
e o que há de vir.

Quero-os perfeitamente reais,
compreendendo a ténue linha que nos liga:
eles e os meus sentidos.

Quero isto
e só isto.

Quero sentir a cada momento
a vida transparecer.

Agora dizem alguns de vocês:
É muito de se pedir?

Eu diria que não,
não é.

Mas há coisas na vida
que adiam a descoberta
e são elas mesmas uma descoberta
até nós estarmos preparados para ela.

Dilema.

Estar ou não preparado.
Querer estar ou não preparado.
Querer sequer preparação para isto.

É coisa complicada esta vida...

Há que ser guerreiro de honra
para poder com ela viver
e sê-la em pleno:
resposta ao teu nascimento como tu és.

quarta-feira, 11 de maio de 2016

Utopia minha vem a mim que não vou eu a ti.

Não sei onde me andas,
não sei do horizonte
está preso no presente, no dia-a-dia,
na pressa de querer coisas
e saber delas resolvidas...

Mas o que é preciso resolver?

Há vida e é só!

Fazer dela dança e dançar com ela,
ser o movimento a cada momento.

Onde me está a saída em cada instância?

Espírito!

Fala espírito!

Coisa mais linda que a vida!

Coisa além da vida
pois em concordância com a morte,
coisa infinita de negra aos olhos
mas quente de sabedoria e compreensão.

Falta-me o ar
minha querida ave de impossíveis improváveis
e eternos sonhos de outro e outros.

Quanto me preciso esquecer em vento de maresia,
em neblina de irracionalidade, em plenitude de mar oceânico.

Quero-me perder em ti novamente.

Quero, ao menos, saber de ti novamente.

Quero tudo o que posso de ti e nada do mundo.

O mundo pesa,
tu não.

Estou pesado com a vida.
Falta-me a calma de velho e de cão
que tanto ano demorei a conquistar.

Quero mudar,
quero ser outro,
quero redescobrir esta coisa de viver.

O hábito destrói o espírito.

Pior é viver num medo qualquer que não existe
mas se sente.

E o sentir é verdade,
é a verdade...

Peito cheio,
parece que tenho que fazer mais,
ser mais, provar algo que não acho sequer necessário.

Quero a calma do morto em vida.

Quero a paz do velho vagabundo
que goza com aqueles que vão para o trabalho,
vive no seu mundo de passado imenso
e presente resplandecente
- por já não se preocupar em conectar um com o outro mundo.

Quero, quero, quero...

Mas que quero eu porra!

Calma pai, filho de uma mãe que não foi.

Há que ter paz no coração.

Saber do tempo,
saber de meter um pé à frente do outro,
de dizer adeus e olá
bem.

Toda a disciplina da vida tem que ser conquistada
no teu dia-a-dia.

Se o teu dia não te pede mais isso
tens que o mudar ou mudar-te.

A mudança é a transpiração do espírito.

Acordar desperto e rebentar com o mundo!

Fazer de portas pontes
e de janelas voos absolutos de mudança.

Saber chorar e rir com sinceridade tua.

Falar para ouvir,
ouvir para falar.

Procurar a concordância entre os seres humanos,
os animais e o além maior.

Essa é a tua sina,
a tua alegria e fardo.

Sê-a e encontrarás a calma que já está em ti
(és tu que a não vês ou não te deixas ver-la).

Sossego puto
que a vida só existe agora.

Aproveita.